heeey apple :B
" (...) Por que no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia. "
terça-feira, 23 de abril de 2013
Coloquei minhas mentiras no diário para viver as verdades em segredo.
Não olharei para trás, para não prometer a volta. Não olharei para os lados, para não ameaçá-la com a dúvida. Adeus, meu amor! Na primeira recaída, procurará o número na agenda. Não estava em sua agenda. Não se anota amores na agenda. Na segunda recaída, perguntará o que faço aos conhecidos. As demais recaídas serão como soluços depois de tomar muita água. Adeus, meu amor. Terá filhos com outros homens. Terá insônia com outros homens. Desviará de assunto ao escutar meu nome. Adeus, meu amor.
( Autor Desconhecido )
( Título: Fabrício Carpinejar )
E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz.
Eles terminam, mas ainda se amam, por vingança ou mera vaidade, ele decide se entregar a primeira que passa pra mostrar o quando aquilo não o afeta, mas o afeta, e nem percebe que está procurando uma história que não convêm pra nenhum dos lados. Ela sente uma certa inveja por saber que ainda sente algo por alguém que parece não se importar com isso, mas agora ele está com outra, e ela finalmente percebe seu coração fora do lugar. (...) Imbecil. Vive com a certeza de que deixou pra traz não só um relacionamento, mas a certeza de uma felicidade absoluta. Ele nunca disse a falta que ela faz, a história sempre se conclui com dois idiotas orgulhosos que vivem na saudade, mas não admitem o quanto precisam um do outro.
( Autor Desconhecido )
( Título: Tati Bernardi )
domingo, 13 de janeiro de 2013
Eu me escondi dentro de mim.
Sabem tão pouco de mim. Eu escrevo? Ah, sim, quase
na mesma temporalidade em que respiro. Caminho devagar? Tenho um probleminha no
pé, olhe melhor que você perceberá. Tenho o olhar vago? Esse é velho, já
deveriam saber. Leio com os mais gritantes barulhos? Eu gosto de histórias além
da minha, concentro-me rápido nelas para me esquecer. Não sei abrir o coração?
É falha da vida, sabe? Ela ainda não me apareceu com a chave correta. Eu durmo
pouco e não sei falar de mim? Tudo mania velha. Eu me formei faz um tempinho na
faculdade dos jeitos estranhos de ser. Agora, tem que me aceitar assim, e
entender que saber de mim sempre será pouco. Eu sempre vou trancafiar um
sentimento, segredo ou passado. Eu vivo me escondendo até de mim. Mas posso
garantir que tenho bom coração. Eu amo quem eu amo acima das confissões nunca
feitas de mim. Amo por me amarem sabendo que pouco me conhecem.
( Camila Costa )
( Título: O
Diário de Anne Frank )
O fim virou começo. E eu me permiti começar.
Vou porque preciso conhecer o mundo. Vou porque as fotografias não me satisfazem: preciso dos ares, dos arredores, dos autores. Mais do que a história de cada lugar, preciso conhecer quem narra o que é escrito. Conhecer as distâncias e fazer parte do dia-a-dia, ser vizinha de seu povo, me perder em suas ruas, tropeçar em suas pedras, provar da sua comida e falar sua língua. Ser meretriz em Barcelona, apaixonada em Veneza, livre em Paris. Me casar em Dublin, ser traída em Moscou, esquecer em Roma. Ter um apartamento grande com quartos e salas inúteis, um apartamento pequeno onde cada canto é casa, uma casa com sacada e janelas enormes que dão pro jardim.
É por isso que eu preciso ir embora. As roupas já não me cabem, o corpo já não me veste. O que eu sei já não me conforta. Sou doente de mim mesma e só consigo ser feliz quando deixo todas as minhas certezas e parto pro desconhecido. Porque partir é mais do que abandonar as origens, é se originar em outro canto e eu me reinvento todos os dias.
Vou porque o que tá lá fora me chama. Vou, nem que seja pra descobrir que meu lugar é aqui.
( Verônica H. )
É por isso que eu preciso ir embora. As roupas já não me cabem, o corpo já não me veste. O que eu sei já não me conforta. Sou doente de mim mesma e só consigo ser feliz quando deixo todas as minhas certezas e parto pro desconhecido. Porque partir é mais do que abandonar as origens, é se originar em outro canto e eu me reinvento todos os dias.
Vou porque o que tá lá fora me chama. Vou, nem que seja pra descobrir que meu lugar é aqui.
( Verônica H. )
Escrevo para não falar sozinho.
Bem
feito, quem mandou acreditar nas pessoas? Já falei, elas nos desapontam todos
os dias.
( Clarissa Corrêa )
( Título: Cazuza )
Eu sei que é dificil manter sua fé com tanto demônio ao redor.
A chatice ronda toda e qualquer conversa: e os
namorados? - pergunta sua avó meio surda (mas sabendo usar bem o plural). E o trabalho?
- indaga aquele parente distante querendo parecer interessado. Quando vai
casar? Quando vai ter filho? Você sorri e responde, apenas. No fundo, queria
dizer “e você, quando vai parar de ser inconveniente e chato?”. Acontece nas
melhores famílias.
( Clarissa Corrêa )
Inteira.
Imprimo o que me contém.
Não espere que eu seja
contida. Minhas emoções extravasam minhas bordas, borbulham na superfície,
transbordam de mim.
Expresso o que me toca. Não me peça pra ser impassível. Sou feita de
sentir. E meu sentir faz bagunça, sobe no palco, salta do peito. Gosto de
viver assim: des-me-di-da-men-te-a-pai-xo-na-da.
Quisera eu, ser feita de silêncios. Daqueles que restauram e espelham. Daqueles que traduzem. Tem muito barulho por
aqui. Tem o riso solto, a alegria escancarada, a música alta. Tem a
vontade de realizar e uma implicância danada com essa coisa de se bastar. Uma
fé infantil no futuro.
Sou feliz e grata com a vida que tenho mas vivo seguindo o
conselho de Fernando Pessoa: não acostumo com o que não me faz feliz e
revolto-me quando julgo necessário.
Não sei fingir sentimentos. Não sei ensaiar simpatia. Ainda não aprendi
a ignorar o que me ofende, me acomodar com o que incomoda, usar o silêncio como
suposta superioridade e pseudo-atestado de controle. Jamais conseguiria, vivo à flor da pele, obedeço o coração. Meu riso
será indecente quando surgido, meu questionamento será inevitável quando
provocado, meu choro, um convite: me conheça.
Me faça surpresas, me leve para ver o pôr do sol. Sou cativada por
detalhes, uma encantada por pequenices. Me escreva qualquer frase que combine
com o seu querer, apareça do nada e me presenteie com cheiros, com cores, com
vinho, com móbiles e palavras. Não é difícil me fazer sorrir.
Não me queira cética. Acredito em milagres, em
intuições, em abraços e em declarações de amor. Desacreditar seria
desistir, seria entristecer. E eu recuso todo e qualquer convite da tristeza.
Alegria é o que me inspira. Emoção o que me traduz. Acreditar é o que explica a
minha vida.
Me faça
convites, me conte uma história. Vamos deitar numa pedra e admirar o céu sem
procurar saber da hora. Meu relógio pára numa prosa em boa companhia.
Espere de mim ideias, perguntas e também respostas. Respostas gentis,
atenciosas, debochadas ou tortas. Tem opção para todos os gostos e
reciprocidade para todos os gestos. Mas não espere de mim amarguras. Não
confunda a minha receita. Tenho doses de doçura e pimenta para muitas porções,
mas nunca cultivei o rancor.
Espere de mim o perdão, o pedido e o concedido. Sei reconhecer minhas falhas
e acredito em qualquer um até mesmo depois que me prove o contrário. Sei dar
segunda chance a quem merece, a quem faz valer a caminhada. E assumo todos os
riscos. Prefiro assim do que me confortar com serás. Sou adepta do tentar e
também do refazer.
Conte
comigo, te dou meu ombro e minha sinceridade. Chegue mais perto, pegue na minha
mão. Divido meus sonhos contigo, te empresto meus discos e meus livros. Me dê
conselhos, me dê espaço. Repouso no teu colo e te conto a minha história. Tenho
essa mania errante de me espalhar por aí.
Não tenho muita paciência, releve esse meu pesar. Não tenho vocação pra
viver a conta-gotas. Me instigue mas não me provoque tanto. Me queira serena,
quieta, satisfeita. Tenho febres elevadas, desejos insaciáveis, tenho
coragens infinitas quando desafiada.
Tenho a mania de deixar o desaforo da porta pra fora. Sabe aquele texto
da Martha Medeiros que diz: "Não grite comigo. Tenho o péssimo hábito de
revidar"? Pois é. Se eu pudesse, estenderia a mão e diria a autora: bate
aqui. Meu maior defeito talvez seja este. Minha defesa primeira.
Conte com a minha bondade, abrace o meu afeto mas não subestime a minha
mansidão. Não apronte comigo contando com a minha suavidade. Ainda não
aprendi com a sabedoria daqueles que deixam pra lá, não compactuo com aqueles
que se contém corroendo por dentro. Nessas horas extravio a educação bonita que
mamãe me deu e sigo concordando que respeito é pra quem tem.
Pareço vento e de repente eu seja mesmo. Mas veja, sou simples de se
capturar. Meu parecer talvez seja este: eu simpatizo com os urgentes e me
recolho na intensidade. Suplico a paciência e enlouqueço na espera. O talvez
não me responde, o quase não me convence, o "não sei" me sufoca o
peito e me arde toda.
Eu vivo é de quereres, insaciáveis e emergentes.
Reciclo minhas coragens e não confiro a temperatura da água. Eu mergulho.
Inteira. E descubro que sei nadar.
( Yohana Sanfer )
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