heeey apple :B

" (...) Por que no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia. "





Mostrando postagens com marcador Martha Medeiros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Martha Medeiros. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Isso me lembra que mesmo você sendo um saco, tudo o que eu queria era que você estivesse aqui.




Eu adoraria te encontrar e te dizer os piores desaforos, te chamar de tudo, berrar os palavrões mais inqualificáveis, abalar teus brios, mas não faço nada disso (...) ainda quero te conquistar, por isso não apareço na tua frente, não te xingo, não te chamo de filho da puta, um pouco porque ter deixado de me amar não faz de você um filho da puta, mas principalmente porque tenho medo de que se houver em você um resto de amor por mim, esse amor irá por água abaixo quando você me ouvir te caluniar, te insultar, então me mantenho educadamente afastada, porque é a única saída que me resta para continuar sendo gostada por você, que absurdo, esse meu falso refinamento ainda é uma forma patética de sedução.

( Martha Medeiros )
( Título: Tati Bernardi )

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Onde, afinal, é o melhor lugar do mundo? Meu palpite: dentro de um abraço.

( Imagem: Tumblr )


( Título: Martha Medeiros )

Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora.



Uma linda princesa, independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse: 

- Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre

Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: Nem Fudendo!



( Luis Fernando Veríssimo )
( Título: Martha Medeiros )

sábado, 20 de agosto de 2011

Salve-se quem quiser, perca-se quem puder!



Se você perceber qualquer tipo de constrangimento, não repare, eu não tenho pudores mas, não raro, sofro de timidez. E note bem: não sou agressiva, mas defensiva. Impaciente onde você vê ousadia. Falta de coragem onde você pensa que é sensatez. Mas mesmo assim, sempre pinta um momento qualquer em que eu esqueço todos os conselhos e sigo por caminhos escuros. Estranhos desertos.

( Martha Medeiros )
( Título:
Leminski )

sábado, 13 de agosto de 2011

Preciso estar firmemente pousada sobre algo - ou alguém. Abraços me seguram. E eu me agarro. Tenho medo da falta de gravidade: solta demais, me perco, não voo senão em sonhos.




Ela é um pote de cristal, tão transparente quanto, tão rico quanto. Mas um cristal que não sabe seu real valor, um achado no meio de tantos outros pobres potes que são apenas de vidro. Estes se quebram e são varridos como um objeto qualquer. Mas ela não, se ela quebra, é a tristeza de um cristal que se foi. E todos sentem.

( Caio Fernando Abreu )
( Título: Martha Medeiros )

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Um dia a gente cria juízo. Um dia. Não tem que ser agora.



Já fui julgada até crucificada. Já fui enaltecida e muito amada. Já fui certa e errada. Já julguei e condenei. Me arrependi e me desculpei. Já fiz de tudo um pouco porque meu verbo é solto. Se sinto, preciso falar, se me incomoda tenho que questionar. Mal interpretada costumo ser mas o que posso fazer quando preciso dizer o que vai dentro do meu coração e bole com a minha emoção. Já fui injusta com quem não deveria ser e cruel com quem fez por merecer. Já fui bondosa e companheira. Já fui até a enfermeira de vidas que desabavam. Já fui bombas que estouravam em meio a guerras devastadoras. Já fui a doutora que curou um coração que se feriu por amor. Já fui a personagem esquecida e a atriz principal. Já fui recatada e imoral. Já fui alguém que o vento levou e que trouxe, de volta, por um favor. Já acertei e errei adoeci e me curei. Já pedi e implorei. Já cedi, vendi e dei. Já me culpei e me torturei por tantas coisas que nem sei. Já corri muito atrás mas era longe demais e não consegui chegar. Já rasguei lembranças que não prestavam mais. Já remexi o lixo para achá-las e de volta, na gaveta, colocá-las. Já fiz de tudo um pouco afinal sou normal, só não posso revelar o etc e tal.

( Martha Medeiros )

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Não quero pensar, não quero fazer planos, não quero criar expectativas. Quero apenas que os dias passem.




Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: faz de conta que eu não sofro.

 ( Martha Medeiros )
( Título:
William Shakespeare )